Análise: Scott Pilgrim EX

Bruno Degering ·

O universo de Scott Pilgrim sempre teve o videogame no seu DNA. Desde os quadrinhos originais de Bryan Lee O’Malley, que pareciam cenas de ação pixeladas ganhando vida no papel, até a adaptação anterior que se tornou cult, a franquia nunca escondeu seu amor pelos controles. Com o lançamento de Scott Pilgrim EX, a expectativa era grande, especialmente após o fôlego renovado pela animação da Netflix. Mas esqueça tudo o que você achava que sabia sobre “briga de rua”: este não é apenas um jogo para bater em inimigos, é uma celebração completa do gênero que ele se propõe a honrar e, acima de tudo, evoluir.

Se você está buscando apenas nostalgia e “fan-service”, vai encontrar de sobra. Mas se você está buscando um jogo que respeita o seu tempo e eleva o padrão de como um beat ‘em up deve ser jogado em 2026, você veio ao lugar certo. Este título não é apenas uma sequência ou uma expansão; é uma carta de amor interativa que te convida a revisitar Toronto e suas maluquices com um olhar totalmente renovado. Pegue seu controle, ajuste o som no máximo e venha comigo entender por que este jogo é uma obra-prima.

Mais que um “Briga de Rua”: Uma Evolução com muito RPG

Muitas vezes, quando pensamos em beat ‘em up, imaginamos aquele estilo clássico de fliperama de bar: se você morrer, perde tudo e volta pro início. Scott Pilgrim EX joga essa regra pela janela. Ele se posiciona quase como um jogo de aventura e ação, onde o combate é o meio, mas a progressão é o objetivo principal. Você não vai apenas bater; você vai gerenciar, evoluir e explorar.

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O jogo introduz um sistema robusto de RPG que muda completamente a dinâmica da partida. Cada inimigo derrotado concede recursos, e cada loja espalhada pelo mapa é uma oportunidade de investir em seus atributos. Você sente, literalmente, o seu personagem ficando mais forte, mais rápido e mais eficiente. Isso elimina aquela frustração punitiva de perder todo o progresso, transformando cada sessão de jogo em um investimento no seu herói. É essa camada de RPG — com itens equipáveis, missões secundárias e uma exploração orgânica entre cidades e ambientes surreais — que eleva o título a um patamar que poucos jogos do gênero conseguiram alcançar.

Esqueça a linearidade engessada de ‘seguir apenas para a direita’. A estrutura de Scott Pilgrim EX é refrescante justamente por tratar as fases como partes de um mapa vivo e conectado. Você caminha por cenários que funcionam como zonas exploráveis, onde completar missões primárias e secundárias é fundamental para progredir. O jogo abraça o backtracking de forma inteligente: muitas vezes, você precisará revisitar áreas anteriores — agora munido de novas habilidades ou itens específicos — para abrir caminhos bloqueados ou descobrir segredos escondidos. Essa mecânica transforma o que seria apenas uma caminhada simples em uma experiência de descoberta constante, tornando o retorno aos locais conhecidos algo recompensador e estratégico, longe de qualquer repetição enfadonha

O Elenco de Peso: Escolha Seu Lutador

Um dos pontos altos de Scott Pilgrim EX é a variedade do seu elenco jogável. Não se trata apenas de trocar a “skin” do personagem; cada um deles traz uma sensação única ao controle, exigindo que você adapte seu estilo de jogo. Scott, por exemplo, é o equilibrado, o ponto de partida perfeito. Mas quando você experimenta personagens como Lucas Lee, a diferença é brutal. Ele é um tanque, pesado, focando em controlar o espaço com seu skate e golpes de área que fazem todos saírem voando.

Os combos do jogo são dificeis de masterizar mas extremamente satisfatórios quando você consegue. Não só por sua complexidade mas pela beleza dos sprites e das animações. De finalizadores até os especiais, tudo parece ter sido feito com um carinho absurdo!

Se de um lado temos Lucas e seu estilo “tank”, do outro lado temos figuras como Roxanne Richter, que trazem um nível de agilidade e precisão que transforma o campo de batalha quase que em um jogo de ritmo. O jogo te incentiva a testar todos eles, pois, com os elementos de RPG presentes, montar a “build” ideal para cada personagem torna-se um vício à parte. Se você quer ser um batedor rápido ou um brutamontes estratégico, o jogo te dá todas as ferramentas para isso. Eu até mesmo criei um personagem focado em juntar o máximo de dinheiro possível, combando itens.

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Visual e Som: O Ritmo do Caos

No aspecto técnico, a Tribute Games entregou o que podemos chamar de perfeição em pixel art. Não é apenas sobre ter muitos pixels na tela, mas sobre a fluidez e a expressividade. Cada soco, cada esquiva e cada reação do cenário contam uma história. É um mundo que respira, cheio de pequenas e grandes referências à cultura pop e ao universo do Scott que fazem você parar só para observar os detalhes. É um banquete visual que nunca cansa, mantendo o jogador curioso sobre qual será a próxima loucura visual que aparecerá na tela.

E, claro, não podemos falar de Scott Pilgrim sem mencionar a trilha sonora. A Anamanaguchi assina novamente as composições, e o resultado é uma fusão de rock com chiptune tão contagiante que é impossível não entrar no ritmo. A música aqui não é apenas um pano de fundo; ela dita a cadência da sua jogabilidade. As batidas acompanham o frenesi das lutas, tornando a imersão completa. É aquele tipo de trilha que você vai querer ouvir fora do jogo, mas que, enquanto está jogando, parece que foi feita sob medida para cada cena de ação.

Conclusão: Uma Referência Moderna

Scott Pilgrim EX não é apenas um dos melhores jogos do ano; é uma aula de como revigorar um gênero clássico sem perder a essência. Ele entrega uma experiência cooperativa vibrante, uma progressão que respeita o jogador e um nível de polimento que, honestamente, raramente vemos em produções focadas em arcade. A jornada para reaver os instrumentos da banda Sex Bob-Omb é divertida, desafiadora e profundamente satisfatória, provando que o carisma desse universo ainda tem muito fôlego para queimar.

Se você gosta de jogos que não tratam o jogador como um mero apertador de botões, mas sim como alguém que gosta de ver seu personagem evoluir, este é o título definitivo. Scott Pilgrim EX se consolida como uma obra-prima moderna do beat ‘em up, unindo o estilo retrô com sistemas de RPG profundos o suificiente para não serem complexos e um elenco de personagens que garante horas de rejogabilidade. Pode ir sem medo: é, sem dúvida nenhuma, obrigatorio para quem ama videogames!

Essa análise de Scott Pilgrim EX segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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100 Nota

Scott Pilgrim EX

Obra-Prima

Scott Pilgrim EX é, sem rodeios, o novo padrão de ouro dos beat 'em ups. Ao fundir mecânicas de RPG profundas com a essência frenética da pancadaria clássica, ele entrega uma experiência obrigatória, viciante e visualmente impecável. Se você busca diversão pura e um jogo que respeita o seu tempo e recompensa sua dedicação, não há como errar: este é o título que define o gênero em 2026.

Desenvolvedor Tribute Games Inc.
Publicadora Tribute Games Inc
Lançamento 03/03/2026
Plataforma jogada Playstation
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Não
Cópia Cedida pela publicadora

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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