Como era de se esperar, a Capcom finalmente fechou o ciclo. Após as aclamadas Legacy Collections das séries Clássica, X, Zero/ZX e Battle Network, chegou a vez de Mega Man Star Force (conhecido no Japão como Ryuusei no Rockman).
Esta foi a última série oficial da franquia a introduzir um novo protagonista, lançada originalmente para o Nintendo DS. A saga conta com sete jogos divididos em três gerações, adotando um sistema de comercialização familiar ao de Pokémon: cada geração possui múltiplas versões. Embora a essência do gameplay e a história principal sejam idênticas em cada lançamento, cada versão garante acesso a poderes e transformações exclusivas.
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Enredo
O enredo acompanha Geo Stelar (Subaru Hoshikawa, no original), um garoto deprimido e recluso após o misterioso desaparecimento de seu pai no espaço. Sua vida muda drasticamente ao encontrar Omega-Xis (ou simplesmente Mega), uma criatura cibernética alienígena fugitiva do planeta FM.
Durante um ataque de vírus que descontrola um trem na cidade, Geo e Mega realizam a “Mudança Eletromagnética” (EM Wave Change), fundindo-se no novo Mega Man. Essa transformação concede a Geo acesso ao Wave World, uma dimensão invisível que conecta todos os aparelhos eletrônicos do planeta.
A partir daí, o jogo introduz novos personagens que também firmaram alianças com seres FM-ianos, desencadeando conflitos contra alienígenas que buscam destruir a humanidade. Em meio ao caos, Geo busca respostas sobre seu pai. Um grande atrativo da narrativa é sua rica conexão com o passado: a saga Star Force faz parte da linha temporal de Battle Network, ocorrendo exatamente 200 anos após as aventuras de Lan Hikari e MegaMan.EXE.

O desafio das duas telas
A coletânea traz uma remasterização leve aos títulos de Nintendo DS, suavizando os gráficos para as resoluções atuais. O grande destaque visual fica por conta das batalhas: os modelos 3D originais foram retrabalhados e já não apresentam os fortes serrilhados característicos do portátil.
A adaptação das icônicas duas telas foi feita com versatilidade. A visualização padrão coloca a tela principal em destaque (ocupando a maior parte do monitor), enquanto a secundária fica minimizada em um canto, trocando de lugar automaticamente em momentos oportunos. É possível deixá-las lado a lado ou na vertical configuração perfeita para quem joga no Nintendo Switch no modo portátil com suportes verticais. Jogadores de PS5 ou Xbox Series, contudo, podem levar um tempo até se acostumarem com a assimetria na TV.
O áudio foi tratado, entregando uma trilha e efeitos sonoros mais limpos, embora a dublagem continue restrita a momentos extremamente pontuais, respeitando o material original. O ponto negativo do pacote é a ausência de opções modernas de Qualidade de Vida: faltam recursos como avanço rápido de diálogos, save states ou aceleração da velocidade geral do gameplay.

RPG de turnos com sistema de card game
Sucessor espiritual de Battle Network, Star Force mantém o aclamado sistema de montar baralhos virtuais para executar ataques poderosos, tudo embalado na estrutura de um RPG tradicional de exploração.
No entanto, o combate muda de perspectiva. A visão lateral isométrica dá lugar a uma câmera posicionada nas costas do Mega Man. A movimentação é restrita a uma grade de três espaços horizontais (3×1), exigindo reflexos rápidos para desviar para a esquerda ou direita e disparar o clássico Mega Buster enquanto o medidor carrega, permitindo a seleção de novas cartas do seu deck.
A variedade de builds é enorme, impulsionada pelas transformações de cada versão: Ice Pegasus, Fire Leo, Green Dragon, Zerker, Ninja, Saurian, Black Ace e Red Joker. Esta coleção também brilha ao incorporar funcionalidades online modernas, aprimorando o antigo sistema Brother Band. Agora, os jogadores podem registrar até 100 amigos online, permitindo compartilhar cartas e bônus de status de forma global e intuitiva.

Conclusão de Mega Man Star Force Legacy Collection
Mega Man Star Force Legacy Collection reúne a última grande saga da franquia com melhorias visuais, ajustes necessários de interface e suporte a batalhas online, mantendo a essência do que fez o título brilhar no Nintendo DS. A jornada de Geo Stelar continua sendo um dos pontos fortes da série, entregando uma narrativa mais emocional e perfeitamente conectada ao amado universo de Battle Network.
No gameplay, a mistura de Action-RPG com combate em tempo real baseado em cartas oferece uma dinâmica viciante e estratégica. Apesar de sentirmos falta de modernizações básicas de aceleração de jogo e salvamento rápido, a coletânea cumpre o seu papel com maestria. É o resgate definitivo e a melhor forma de revisitar ou conhecer essa fase subestimada do Mega Man.

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