Entenda o processo contra a PSA por práticas enganosas
A PSA e sua controladora, Collectors Holdings, foram processadas em uma ação coletiva protocolada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito de Maryland. O documento de 188 páginas acusa a maior certificadora de cartas do mundo de enganar consumidores sobre o funcionamento real de seu sistema de graduação, alegando que o processo não é objetivo, consistente ou independente como anunciado pelo marketing da empresa.
Nicholas Funk, o autor do processo que busca representar todos os clientes que pagaram taxas de serviço à companhia, afirma que a PSA utiliza avaliações subjetivas baseadas no apelo visual em vez de padrões técnicos padronizados. Segundo a denúncia, essa inconsistência seria deliberada para incentivar colecionadores a submeterem a mesma carta múltiplas vezes na esperança de obter uma nota superior, gerando faturamento adicional por meio de taxas repetidas.
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Acusações de fraude no mercado de Pokémon TCG e esportes
Uma das alegações mais graves do processo envolve a primeira certificação emitida pela história da empresa. De acordo com os autos, a PSA teria concedido uma nota alta a um exemplar da carta T206 Honus Wagner sabendo que o item havia sido fisicamente alterado. Pelos próprios termos de serviço da certificadora, itens com evidência de recorte ou restauração não devem receber graduação numérica, mas o certificado nunca foi revogado.
O processo também levanta questões sobre o conflito de interesses dentro da Collectors Holdings. A empresa é proprietária de serviços de custódia em cofres, ferramentas de precificação e plataformas de marketplace. A denúncia argumenta que essa estrutura permite a manipulação de valores, pois a empresa controla simultaneamente a nota do item, sua validação e os canais de venda. Conforme detalhado em documentos judiciais, a empresa também é acusada de limitar artificialmente a quantidade de notas 10 (Gem Mint) para preservar a escassez e o valor de mercado de certos lotes.
Violações da Lei RICO e transparência dos avaliadores
A queixa apresentada inclui acusações de violação da lei federal Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act (RICO), fraude, representação negligente, quebra de contrato e enriquecimento ilícito. O texto questiona a qualificação técnica dos funcionários responsáveis pelas notas, alegando que os clientes não recebem informações sobre quem avaliou seus itens ou qual a experiência profissional desses avaliadores.
O autor da ação busca a certificação de classe para o processo, indenizações financeiras, restituição de taxas de graduação pagas e mudanças estruturais nas práticas de negócios da PSA. Até o momento, a empresa não protocolou uma resposta oficial ao tribunal e o caso permanece nas fases iniciais de tramitação jurídica.
