Elden Ring Tarnished Edition finalmente leva ao Nintendo Switch 2 uma das experiências mais ambiciosas da FromSoftware. O pacote reúne o jogo base e a expansão Shadow of the Erdtree, oferecendo facilmente mais de 100 horas de conteúdo em uma versão que chega anos depois das edições para PC, PlayStation e Xbox. A grande questão, portanto, não é descobrir se Elden Ring continua sendo um excelente jogo (algo que já discutimos em nossas análises anteriores do jogo base e de sua expansão), mas entender até que ponto o Switch 2 consegue reproduzir essa experiência.
E a resposta é mais positiva do que eu esperava, embora exista um problema importante no desempenho que impede essa versão de ser tão consistente quanto poderia.
Elden Ring continua sendo um dos maiores exemplos de como a FromSoftware conseguiu expandir a fórmula Souls para um mundo aberto. A liberdade para montar diferentes builds, alternando entre combate corpo a corpo, magia, ataques à distância e dezenas de tipos de armas, combina muito bem com a estrutura de exploração. O jogador recebe um caminho sugerido, mas praticamente nada impede que ele simplesmente siga outra direção e construa sua própria jornada pelas Terras Intermédias.
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A própria experiência muda bastante dependendo da construção escolhida. Em uma jogatina anterior, por exemplo, optei por um Astrólogo e uma abordagem focada em magia e ataques à distância. Agora, como Samurai, a experiência foi completamente diferente, com combate mais próximo e armas de maior alcance. Somado ao Torrente, que permite atravessar rapidamente o enorme mapa e ainda acrescenta novas possibilidades de exploração, isso continua fazendo de Elden Ring uma experiência extremamente flexível.
O ponto interessante é descobrir quanto dessa experiência foi preservado no Switch 2.

Uma adaptação visual melhor do que o esperado
Começando pelo aspecto mais surpreendente, Elden Ring Tarnished Edition apresenta um resultado visual bastante competente no console da Nintendo. É evidente que algumas concessões foram necessárias, principalmente quando comparamos diretamente com PlayStation 5, Xbox Series e PCs mais potentes. Há redução na quantidade de vegetação e em elementos do cenário, enquanto iluminação e sombras também apresentam qualidade inferior em determinados momentos.
São cortes perceptíveis para quem conhece as outras versões, mas, considerando a escala de Elden Ring, eles estão longe de comprometer a experiência. Texturas, personagens e a construção geral do mundo permanecem muito próximas do que encontramos nos consoles mais poderosos, e isso é particularmente impressionante quando lembramos que estamos falando de um jogo de mundo aberto dessa dimensão.



No modo portátil, o jogo trabalha em Full HD, enquanto na televisão temos upscale para 4K. Não se trata, obviamente, de uma resolução 4K nativa, mas ainda assim é interessante encontrar Elden Ring sendo apresentado dessa maneira no Switch 2. A possibilidade de simplesmente retirar o console da dock e continuar explorando as Terras Intermédias também é um dos grandes atrativos desta edição.
Além disso, os elementos online continuam presentes, incluindo invasões, mensagens e as demais interações que fazem parte da experiência tradicional da FromSoftware. Ou seja, não estamos diante de uma versão simplificada do jogo: é o Elden Ring completo, com sua expansão, seus principais sistemas preservados e com o mesmo impacto visual.

O problema está na fluidez
Se visualmente o resultado me surpreendeu, o mesmo não pode ser dito da maneira como o jogo administra seus frames.
Tarnished Edition trabalha com uma meta de 30 FPS, algo perfeitamente compreensível para uma adaptação desse porte. O problema é que a FromSoftware optou por não limitar o jogo a essa taxa de atualização. Em vez de entregar 30 FPS constantes, o desempenho varia bastante dependendo da situação.
Em ambientes fechados, por exemplo, é possível perceber uma fluidez maior, enquanto áreas abertas, combates mais intensos e situações com muitos elementos na tela apresentam oscilações. O resultado é uma sensação de stutter e um frame pacing irregular que, em alguns momentos, incomoda mais do que os próprios 30 FPS.
E aqui está a diferença importante: 30 FPS estáveis são muito mais agradáveis do que uma taxa que fica constantemente variando ao redor desse número. Um jogo que oscila entre 27, 28, 32 ou 35 FPS transmite uma sensação muito menos consistente do que outro que simplesmente permanece travado em 30.



Esse é justamente o ponto em que considero que a FromSoftware tomou uma decisão equivocada. Se o objetivo era trabalhar com 30 FPS no Switch 2, faria mais sentido estabelecer um limite fixo e priorizar a consistência. Não há grande vantagem em permitir que o jogo alcance taxas maiores em determinadas situações se, em contrapartida, ele também pode cair abaixo dos 30 FPS quando o mundo aberto exige mais do hardware.
E aqui vale pontuar que mesmo o Switch 2 tendo VRR (apenas no modo portátil), essa taxa de frames não atinge o mínimo necessário para ativar a tecnologia. Na minha opinião, não existe sentido nessa decisão tomada.
É uma situação diferente de um jogo que busca 60 FPS e oscila entre 55 e 60. Nesse cenário, a variação é pequena e dificilmente compromete a percepção de fluidez. Aqui estamos falando de uma faixa muito mais ampla, e isso acaba sendo perceptível durante a jogatina.

Uma excelente versão que poderia ser mais consistente
No fim das contas, Elden Ring Tarnished Edition é um port melhor do que eu esperava encontrar no Nintendo Switch 2. Antes de jogar, a expectativa era encontrar concessões muito maiores, mas a FromSoftware conseguiu preservar boa parte da qualidade visual do original mesmo reduzindo alguns elementos de iluminação, sombras e vegetação.
Mais importante, todo o conteúdo está aqui. Temos o enorme mundo aberto de Elden Ring, toda a liberdade de construção de personagens, exploração, combate, multiplayer e ainda a expansão Shadow of the Erdtree. É um pacote gigantesco e, considerando a possibilidade de jogá-lo também de forma portátil, existe um apelo enorme nesta versão.
O principal problema é justamente aquele que poderia ter sido evitado: a inconsistência na taxa de quadros. Não considero que os 30 FPS sejam um problema por si só, mas a ausência de um limite fixo faz com que a experiência seja menos fluida do que deveria. É uma questão que poderia, em teoria, ser corrigida por uma atualização que oferecesse um modo travado em 30 FPS, embora seja difícil saber se isso acontecerá, especialmente porque a própria FromSoftware não adotou essa solução de maneira consistente nas outras versões do jogo.
Ainda assim, isso não muda o fato de que estamos diante de uma adaptação tecnicamente impressionante para o Switch 2. Elden Ring continua sendo uma experiência excelente, e ter o jogo completo, acompanhado de sua expansão, disponível também no formato portátil é uma ótima adição ao catálogo do console. Pena que a execução do frame pacing não esteja no mesmo nível do trabalho feito na adaptação visual.

