Análise: The Walking Dead: Streets of Survival

Uma boa adaptação do universo, prejudicada por um combate pesado

Leonardo Coimbra ·

The Walking Dead: Streets of Survival leva a famosa franquia de zumbis para o formato beat ‘em up, gênero que continua encontrando novas maneiras de trabalhar uma fórmula bastante tradicional. A proposta aqui é bastante familiar onde deve enfrentar hordas de inimigos, avançar pelas fases e utilizar personagens conhecidos do universo de The Walking Dead. O diferencial está principalmente na maneira como o jogo utiliza esses personagens para construir sua campanha.

A história acompanha Rick, Michonne e Daryl, começando com Rick em uma situação de fuga envolvendo ninguém menos que Negan. A partir daí, a campanha se desenvolve por diferentes momentos e locais conhecidos da franquia, colocando os protagonistas em situações específicas. Em vez de escolher um único personagem e utilizá-lo durante toda a aventura, as fases determinam quais personagens estarão disponíveis, normalmente permitindo escolher entre um ou dois deles.

Essa decisão funciona bem para a narrativa porque evita que a campanha pareça apenas uma sequência de fases desconectadas. Cada personagem tem seu momento e participa de situações diferentes, enquanto a história aproveita referências e elementos conhecidos pelos fãs. Posteriormente, Negan também pode ser liberado como personagem jogável.

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Para um beat ‘em up, Streets of Survival acaba entregando uma história mais presente do que o habitual, e isso foi uma das surpresas positivas da experiência. Por outro lado, justamente por apostar mais nesse aspecto, a ausência de dublagem acaba sendo sentida. A trilha sonora também não consegue acompanhar a narrativa nesse sentido. Ela até funciona para preencher o ambiente, mas raramente cria momentos realmente marcantes.

Um apocalipse em pixel art

Visualmente, Streets of Survival aposta em uma pixel art que remete bastante aos jogos de outras gerações. O estilo combina com a proposta e funciona bem tanto durante o combate quanto nos menus e nas cenas de diálogo, criando uma identidade visual consistente.

O problema é que, embora competente, ele não apresenta grandes novidades. É um trabalho que cumpre sua função sem necessariamente impressionar. O mesmo pode ser dito dos cenários, que conseguem representar bem o universo de The Walking Dead: cidades destruídas, casas abandonadas, ferros-velhos e diferentes bases utilizadas pelos grupos que aparecem durante a campanha.

Os Salvadores e os Catadores, por exemplo, ocupam uma posição importante entre os adversários e suas bases ajudam a transportar para o jogo parte da ambientação que os fãs já conhecem. A pixel art funciona especialmente bem nesse aspecto, porque consegue representar esse mundo destruído sem entrar em conflito com a proposta mais simples do jogo.

É uma ambientação funcional e coerente com a franquia, mas novamente sem alcançar um nível de destaque dentro do gênero.

Um beat ‘em up que ficou preso no passado

E é no gameplay que Streets of Survival começa a mostrar suas maiores limitações.

Rick, Michonne e Daryl possuem estruturas de combate bastante semelhantes. Todos contam com ataque normal, ataque forte, rolamento e corrida, esta última realizada mantendo o botão de rolamento pressionado. A principal diferença está nas armas e em algumas características individuais.

Rick luta principalmente a curta distância, utilizando sua arma para ataques mais próximos. Michonne utiliza sua katana e tem um perfil mais ofensivo. Daryl, por sua vez, combina seus ataques corpo a corpo com a besta, oferecendo uma alternativa de longa distância. Cada personagem também possui um ataque especial que pode ser utilizado após uma sequência de golpes.

A ideia funciona e os personagens têm diferenças suficientes para não parecerem completamente iguais, mas o sistema de combate não vai muito além do básico. O grande problema é que Streets of Survival parece pesado justamente em um gênero que, nos últimos anos, evoluiu bastante em direção a combates mais rápidos, fluidos e dinâmicos.

O jogo frequentemente coloca muitos inimigos na tela, mas isso nem sempre resulta em confrontos interessantes. Em algumas situações, basta atravessar uma porta para criar um ponto de estrangulamento e esperar que os inimigos venham até você. Isso transforma determinados encontros em uma questão de posicionamento bastante simples, em vez de exigir domínio maior do sistema de combate.

Essa característica se torna ainda mais evidente em algumas batalhas contra chefes. Existem confrontos individuais que funcionam bem e conseguem criar momentos interessantes, mas outros colocam o jogador diante de inimigos muito mais poderosos, capazes de utilizar armas de fogo, metralhadoras e granadas. Nesses casos, a sensação é de que habilidade e domínio do combate nem sempre são suficientes.

O rolamento, por exemplo, funciona como principal ferramenta defensiva, mas possui uma utilização bastante limitada antes de precisar de recarga. Contra determinados ataques contínuos, é possível escapar de parte do dano, mas não necessariamente de tudo. Como esses inimigos também podem causar muito mais dano, algumas batalhas acabam parecendo mais dependentes de sorte e resistência do personagem do que de uma execução realmente precisa.

É aí que o jogo deixa aquela sensação de que poderia funcionar melhor. Existem bons momentos, especialmente quando o combate consegue criar uma disputa mais direta, mas eles são intercalados com situações confusas ou pouco satisfatórias.

Evolução, exploração e conteúdo extra

Fora do combate, Streets of Survival possui algumas mecânicas tradicionais para complementar a campanha. As fases contam com colecionáveis, incentivando o jogador a explorar os cenários em busca de itens escondidos, enquanto os chamados pontos de conhecimento permitem desenvolver os personagens.

Cada protagonista possui sua própria árvore de habilidades, permitindo melhorar características específicas. É possível aumentar o dano das armas de Rick, melhorar o desempenho da besta de Daryl ou investir nas características mais ofensivas de Michonne, além de aprimorar aspectos gerais como velocidade de ataque, quantidade de itens de recuperação carregados e tempo de recarga do rolamento.

Não é um sistema particularmente complexo, mas funciona como uma camada adicional de progressão e dá algum incentivo para explorar melhor as fases.

Também existe um modo de horda, voltado para quem quiser simplesmente enfrentar grandes quantidades de inimigos e prolongar a experiência para além da campanha principal.

Mais para os fãs de The Walking Dead

The Walking Dead: Streets of Survival é um jogo que apresenta boas ideias e consegue aproveitar razoavelmente bem o universo no qual está inserido. A campanha é uma das partes mais interessantes justamente por utilizar Rick, Michonne e Daryl de maneira alternada, em vez de simplesmente transformar os três em opções intercambiáveis para todas as fases.

O problema é que essas qualidades acabam competindo com um sistema de combate que parece ter ficado alguns passos atrás da evolução recente do gênero. Jogos como Streets of Rage 4, Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge e, mais recentemente, Absolum e Marvel Cosmic Invasion, mostraram como a fórmula dos beat ‘em ups pode receber novas ideias, sistemas de progressão e combates mais dinâmicos.

Quando colocado ao lado dessa evolução, Streets of Survival parece um jogo mais datado, pesado e, em determinados momentos, burocrático. Há fases e confrontos que funcionam muito bem, mas também existem situações em que o excesso de inimigos, ataques à distância e limitações defensivas deixam o combate confuso e pouco satisfatório.

Por isso, a experiência acaba sendo mais fácil de recomendar para quem já tem interesse em The Walking Dead e quer passar algumas horas dentro desse universo do que para alguém que simplesmente procura um bom beat ‘em up. Para o fã disposto a lidar com algumas limitações do design, há uma campanha interessante, personagens conhecidos e boas referências à franquia. Para quem chega apenas pelo gênero, entretanto, fica mais evidente o quanto Streets of Survival não acompanha a evolução que os beat ‘em ups tiveram nos últimos anos.

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65 Nota

The Walking Dead: Streets of Survival

Regular

Com uma campanha interessante e boas referências à franquia, Streets of Survival agrada principalmente aos fãs de The Walking Dead. Já seu combate pouco dinâmico e algumas escolhas de design fazem o jogo parecer datado diante da evolução recente dos beat 'em ups.

Desenvolvedor Odaclick Game Studio
Publicadora Trailmark Games
Lançamento 18/09/2026
Plataformas Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5, Nintendo Switch
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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