Análise: HARVESTELLA é o Final Fantasy Fazenda

Eder DZR13 ·

E mais uma vez eu venho dizer que adoro o gênero RPG. Sério mesmo: adoro como a trama se desenvolve, os personagens evoluem, os sistemas do jogo e tudo mais. E no dia que anunciei que a Square Enix lançaria HARVESTELLA, confesso que fiquei particularmente interessado no jogo e claro, em fazer sua análise, a qual trago aqui.

Esta análise só foi possível graças a uma cópia digital de HARVESTELLA, gentilmente cedida pela produtora Square Enix, para a versão de PC, via Steam.

Sobre HARVESTELLA

A princípio, HARVESTELLA é um Action RPG misturado com um gerenciamento de fazenda, ao melhor estilo Stardew Valley. Antes de mais nada, o jogo traz muitas coisas interessantes: entre eles a sua história, que consegue ser profunda e interessante ao mesmo tempo.

Siga no TelegramReceba as principais notícias direto no seu Telegram.
Entrar no canal

Contudo, como um bom jogo da Square Enix, o herói é a única pessoa que tem o poder de salvar o mundo da ameaça iminente. Nesse ínterim, precisa trabalhar na sua fazenda, pois dinheiro não dá em árvores e monstros (não aqui pelo menos). Posteriormente falarei mais sobre estes ítens.

Porém, e infelizmente, o jogo não conta com legenda em PT-BR. Para um RPG deste tamanho, com muita história, diálogo entre os personagens, tutoriais em texto para quase toda habilidade ou recurso novo que aparecer, receitas, cartas que recebe, entre tantas e tantas mensagens de texto, não localizar para os brasileiros, afastará muitos jogadores das nossas terras.

Uma história digna da Square Enix

Antes de mais nada, reitero nesta análise que a ausência das legendas em PT-BR minimiza a experiência de HARVESTELLA. Confesso que eu não tive grandes dificuldades de entendimento, porém não é porque eu não sofri com o problema que ele deixa de existir. Deixando o alerta acima, também o tranquilizo, pois não darei spoilers desnecessários.

A princípio, o jogador está caído no chão de uma cidade desconhecida, onde é acordado por uma pessoa desconhecida. Após acordar, a garota pede para se levantar e a seguir. Nesta parte, temos um leve tutorial dos comandos básicos do jogo. Ao reencontrar a garota que te cura, ela fala que você é a única pessoa que pode salvar o mundo (e a ela também). Andando mais um pouco e aprendendo mais sobre as mecânicas, o jogador chega a uma espécie de desfiladeiro e cai mais uma vez.

Ao acordar, o jogador é curado por uma doutora que pergunta ao herói quem ele é, o que está fazendo ali, entre outras perguntas e o jogador apenas fala que não sabe de nada: só apareceu ali e pronto. Por algum motivo aparente roteiro, a doutora então te fala que você precisará de um trabalho e um local para morar, dando-lhe uma fazenda para você cuidar.

Após aprender como se trabalha em uma fazenda, a doutora pede para você a visitar na cidade de Lethe. A partir daí, a história vai se desenvolvendo imensamente. Em uma live que fiz do jogo, foi praticamente 01:30 hs só de história introdutória e, se eu escrever tudo aqui, vai parecer um roteiro de filme. Contudo, se quiser ver esta introdução toda, o vídeo abaixo tem a gameplay que fiz:

Resumo rápido para quem tem pressa

O herói é o único que pode salvar o mundo, que aparentemente está assolado por um mal desconhecido. Porém, antes de salvar o mundo, o herói precisa trabalhar em sua fazenda, pois além de salvar o mundo deste mal desconhecido, precisa salvar as pessoas de morrerem sem comida. E, nos seus momentos de folga, aventura-se em um mundo repleto de desafios e oportunidades de trabalhos avulsos (também chamado de side quests).

Será que o nosso protagonista tem o que é realmente necessário para salvar o mundo deste mal desconhecido e ainda trabalhar em sua fazenda? Só jogando para saber…

Um jogo de encher os olhos

Em primeiro lugar, acho que a parte gráfica de um jogo é um elemento quase secundário. Isso considerando que temos um grande fator de diversão, o que torna os gráficos secundários. Contudo, fico feliz de dizer nesta análise que HARVESTELLA é, de longe, um dos games mais bonitos que eu já joguei.

Ele é bem colorido, e todos os objetos presentes têm o seu devido destaque, mesmo que discretamente. Você conseguirá distinguir absolutamente TUDO na cena, sem nem precisar buscar muito. Claro que tem alguns segredos aqui e ali, mas nada que uma boa busca no cenário não resolva.

Navegar no mapa é algo incrivelmente prazeroso e belo. A visão macro do cenário é surreal e você consegue distinguir cada local do mapa só de olhar. A única coisa que fica estranha é que o jogador fica “gigante” na escala do mapa, sendo que em alguns momentos parece que o jogador é maior que as casas e árvores.

Por fim, o estilo característico dos personagens e NPCs é maravilhoso. Ao melhor estilo anime/Final Fantasy, HARVESTELLA traz as características mais profundas dos jogos da Square Enix. A sensação que eu tive é que eu estava jogando um misto de Final Fantasy Tactics, com Valkryrie Profile 2: Sillmeria, com um belo toque de modernidade dos jogos da Bandai Namco.

Simples no que deveria ser

Antes de mais nada, quero parabenizar o pessoal da Square Enix. O controle do jogo é extremamente simplificado, sem qualquer dificuldade para aprender a usar (exceto o tutorial que não tem em PT-BR), sem mecânicas complexas, sem enrolações: Se quer plantar, selecione a ferramenta e aperte um botão. Se quiser regar, selecione a ferramenta e aperte um botão. Quer atacar? Aperte o botão de ataque fraco ou forte. Se quiser colher, aproxime da horta e pressione um botão. Vai pescar? Só lançar a vara de pescar em um ponto de pesca e apertar o botão de ação quando a água ficar agitada.

Além disso, a simplicidade é aplicada em tudo que precise de um input. Até mesmo para trocar de job você só precisa apertar um botão e selecionar entre 3 opções previamente escolhidas. Mas não pense que job aqui é representado como um trabalho: aqui, o job está mais voltado para “classe” do personagem.

Não precisa se preocupar em correr atrás de liberar cada job: a progressão natural liberará todos. E também nem é difícil upar os jobs: é só batalhar com o devido job escolhido e pronto.

Sinceramente, eu adoro essa pegada: quanto mais simples e ágil a gameplay, mais é agradável aos jogadores.

Complexo onde não deveria ser

De outro modo, tem uma coisa que não me agradou em nada: você só ganha experiência e grilla (a moeda deste mundo) quando vai dormir. A experiência é bem semelhante ao Final Fantasy XV e isso também não me agradava por lá. Claro que dá para imaginar a lógica que pensaram, porém isso é desagradável demais, pois como você precisa expandir a sua fazenda, sempre tem a necessidade de esperar um dia inteiro passar, para ver se consegue grilla suficiente. Se não tiver, lá vai mais um dia de colheita, venda…

Até existe uma alternativa para isso: fazer side quests. Porém, as mesmas são bem longas e não é possível fazer uma inteira antes de um dia acabar.

Aqui também temos o ciclo de dia e de noite. Ficou bem interessante como o ciclo de dia/noite vai desenrolando, porém se você estiver em uma dungeon, e der hora de dormir, o jogador terá penalidades para continuar. Por sorte, o item de retorno traz o jogador direto para a casa, contudo, se não achar um checkpoint na dungeon antes de ir para a casa, terá que fazer todo o caminho de novo.

Sistema que não deveria ter

O herói tem um sistema de estamina, que é o limite de ações que pode fazer. Porém, esta estamina não recupera com o tempo e só desgasta com o decorrer do dia. Para encher a sua estamina o personagem tem que comer, e encher o “medidor de estômago”. E se você não tiver nada de estamina, você não é capaz de fazer nada, incluindo pegar itens, atacar, correr, cuidar da fazenda. A única coisa que pode fazer ao acabar a estamina é voltar para a casa, ou comer algo.

Infelizmente, este sistema não ficou legal. Você pode passar o dia todo sem comer nada ou se você não for preparado para uma dungeon, pode ficar sem estamina e nem mesmo farmar nas dungeons. Por outro lado, as comidas que você faz enche muito o “medidor de estômago”, além de recuperar pontos de vida. E, dependendo do que enfrentar na dungeon, você pode ficar com o “medidor de estômago” em 100% e finalizar o dia, perdendo este medidor para o próximo dia.

Tentei ao máximo, no vídeo abaixo, mostrar tudo o que citei acima. Vejam:

Conclusão final

E chegando ao fim desta análise, HARVESTELLA é um jogo onde proporciona uma mistura de dois gêneros. Tem a parte de “fazendinha”, porém tem uma exploração fácil e agradável. E o controle é de forma bem simples, que agradará a todos. Mas não espere um passeio no parque. Aqui você terá que gerenciar a sua fazenda enquanto arruma tempo para salvar o mundo (e ajudar as pessoas no caminho). Aprenda a equilibrar bem as duas partes e você será feliz.

Por fim, não criei um tópico específico para sons e efeitos sonoros. O motivo é bem simples: esta parte do jogo está no nível suficiente. Ele não possui músicas que sejam memoráveis e os efeitos sonoros são bons. Nada além disso. Todavia, os fãs da Square Enix, se sentirão agraciados, pois as músicas remetem aos jogos da empresa. E a dublagem também está impecável.

HARVESTELLA já está disponível para PC, via Steam e Nintendo Switch.

Essa análise de HARVESTELLA segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

NewsletterReceba as últimas notícias de games no seu email.

Eder DZR13

Um rapaz descontraído, engraçado, esperto e dinâmico. Esse cara não sou eu, mas eu amo jogar e viver no mundo gamer. Ainda procurando os dias de glórias porque de tanta luta, eu acho que serei a próxima DLC de Street Fighter. Detentor da 5ª Esmeralda do Caos e 3 vezes campeão da liga de Brawlhalla do condomínio. E ontem eu acertei a tela branca do Akuma.

Deixe um comentário