Depois de inúmeros rumores, God of War: Sons of Sparta finalmente foi revelado em um formato de lançamento surpresa com shadow drop. Trazendo uma versão juvenil de Kratos, o título nos dá um vislumbre inédito da sua relação com o irmão, Deimos, quando os dois ainda eram cadetes espartanos.
Diferente dos épicos em 3D que consagraram a série, aqui temos uma aposta ousada: um metroidvania em 2D com um charmoso visual retrô. Mas será que essa mudança de perspectiva faz de Sons of Sparta um spin-off digno do Fantasma de Esparta? Vamos descobrir.
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Quando Kratos não era apenas ódio
A narrativa de Sons of Sparta é emoldurada por Kratos contando uma história de sua juventude para sua filha. Neste conto do passado, o espartano e seu irmão, Deimos, se envolvem em um combate mortal contra um ciclope e acabam embarcando em missões de treinamento. No entanto, o verdadeiro objetivo da dupla é descobrir o paradeiro de um amigo desaparecido de Deimos, uma busca que Kratos reluta em aceitar, já que o rapaz não tinha o mesmo foco guerreiro dos irmãos.
O grande mérito do enredo é explorar a dinâmica entre Kratos e Deimos, uma relação que raramente teve espaço para respirar nos jogos principais. O título acerta ao mostrar que a fúria característica de Kratos já fervia desde a juventude, além de expandir o universo ao introduzir novos personagens.
Para o público brasileiro, há apenas um pequeno obstáculo na imersão: problemas de localização. Em alguns momentos, a dublagem em PT-BR e as legendas apresentam textos diferentes. Apesar dessa desconexão, a história é cativante e prende a atenção do jogador do início ao fim.

Combate simples e funcional
A jogabilidade adota uma abordagem simples e funcional: ataques básicos, bloqueio com o escudo, esquiva e saltos fluem bem pelos comandos do controle. A progressão brilha nos elementos de metroidvania. Conforme avançam, Kratos e Deimos adquirem artefatos divinos que abrem novas rotas e auxiliam no combate, como sandálias para saltos longos, boleadeiras para alvos distantes e uma espada pesada capaz de mover obstáculos.
Contudo, a exploração sofre com a escassez de pontos de viagem rápida e os poucos que existem são para áreas que não fará tanto sentido retornar. A simples adição de um ponto de retorno direto para Esparta faria uma diferença colossal no ritmo da campanha.
No combate, o título apresenta ressalvas irritantes. O maior problema é o clássico dano de contato: Kratos sofre dano e é empurrado para trás apenas por encostar nos inimigos. Em telas cheias de adversários ou em corredores estreitos, isso gera uma frustração enorme. Além disso, os inimigos sofrem pouco impacto ao receberem golpes, o que impede a execução de combos longos e devastadores.
Felizmente, as batalhas contra chefes compensam esses deslizes, entregando confrontos épicos, memoráveis e altamente desafiadores. E para quem esperava controlar a dupla, um aviso: apenas Kratos é jogável, enquanto Deimos atua apenas como suporte em lutas específicas.

Gráficos e áudio
Visualmente, Sons of Sparta é um deleite. O jogo utiliza uma pixel art riquíssima em detalhes, construindo inimigos imponentes e belas paisagens da Grécia Antiga. Para completar a imersão nostálgica, há um filtro opcional que simula a imagem de uma TV de tubo.
As dublagens em inglês e português são excepcionais (apesar dos já mencionados problemas de sincronia com as legendas). O som ambiente se destaca pela qualidade, fazendo um uso criativo do alto-falante do DualSense para ampliar a imersão. Embalando tudo isso, a trilha sonora épica garante que o título soe, a todo momento, como um autêntico God of War.

Conclusão da análise de God of War Sons of Sparta
God of War: Sons of Sparta apresenta uma proposta refrescante para a franquia ao apostar no formato metroidvania em 2D. A narrativa enriquece a lore da série ao mergulhar na juventude de Kratos e em sua complexa relação com Deimos, mostrando um lado mais humano (embora já raivoso) do espartano.
Mesmo tropeçando em limitações no combate como o frustrante dano de contato e a falta de peso nos combos, além de um sistema de fast travel mal otimizado e pequenos deslizes de localização, o saldo é muito positivo. A direção de arte impecável, o design dos chefes e a excelente trilha sonora sustentam a experiência. No fim, Sons of Sparta é um spin-off corajoso, que traz uma roupagem retrô sem perder a fúria e a essência da saga.

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