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Rockstar Games enfrenta denúncias graves no desenvolvimento de GTA 6

Funcionários relatam falta de transparência em pagamentos, manipulação de bônus e retrocesso em políticas de trabalho remoto.

Bruno Degering ·

A cultura de trabalho na Rockstar Games e o uso de bônus discricionários

Desenvolvedores da Rockstar Games vinculados ao sindicato RGWU (Rockstar Game Workers Union) no Reino Unido relataram práticas de gestão problemáticas durante a produção de Grand Theft Auto VI. Segundo entrevista concedida ao Game Developer, os funcionários alegam que a liderança utiliza bônus financeiros de forma arbitrária para manipular a equipe e manter o controle sobre a jornada de trabalho. Esses pagamentos extras, que representam uma fatia considerável da remuneração anual, flutuam sem justificativa clara, resultando em ganhos muito abaixo do esperado em diversos períodos.

A denúncia indica que a falta de transparência em relação aos salários e bônus faz com que muitos trabalhadores recebam valores inferiores à média do mercado. Um dos funcionários anônimos afirmou que a empresa mantém os critérios de progressão de carreira e compensação totalmente discricionários, o que obriga os desenvolvedores a serem complacentes com as exigências das chefias para não arriscarem perdas financeiras significativas. De acordo com os relatos, cerca de um quinto do salário anual pode ser retido sem explicações claras ou baseado em críticas retroativas.

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Práticas de crunch e equidade salarial em xeque

As acusações contra a Rockstar Games também envolvem a normalização do crunch, termo utilizado para descrever jornadas exaustivas de horas extras. Os membros do sindicato afirmam que a empresa tenta institucionalizar essa prática ao incluir, de forma padrão nos contratos de trabalho no Reino Unido, uma cláusula de renúncia aos limites de jornada semanal previstos na legislação britânica. Embora o sindicato tenha conseguido informar os trabalhadores sobre o direito de optar pelo retorno aos limites legais, a percepção interna é de que o estúdio busca facilitar a carga horária excessiva para cumprir o cronograma de Grand Theft Auto VI, previsto para novembro de 2026.

Além das questões de carga horária, os funcionários apontam um agravamento na disparidade salarial entre gêneros dentro da empresa. Iniciativas que anteriormente visavam equilibrar os rendimentos entre homens e mulheres teriam sido interrompidas. O sindicato também mencionou que benefícios adicionais para trabalhadores do turno da noite foram removidos, aumentando o sentimento de injustiça entre as equipes que operam em horários insalubres para manter o desenvolvimento do título em ritmo acelerado.

O fim do trabalho remoto e a resposta da Take-Two

Outro ponto de forte tensão na Rockstar Games é a reversão das políticas de trabalho flexível. Durante a pandemia, a empresa permitiu o regime remoto e teria prometido que o retorno total ao escritório não seria obrigatório. No entanto, a gerência voltou atrás na decisão sob a justificativa de estimular a colaboração presencial. Os funcionários relatam que essa mudança prejudica especialmente quem possui responsabilidades familiares, enquanto observam que alguns líderes da alta cúpula ainda mantêm flexibilidade em suas próprias rotinas de trabalho.

Em resposta às denúncias, um porta-voz da Take-Two Interactive declarou que a empresa se esforça para oferecer ambientes de trabalho de alta qualidade e oportunidades de carreira contínuas. A companhia afirmou que fomenta uma cultura de trabalho em equipe e gentileza, oferecendo compensações competitivas que resultam em taxas de retenção de funcionários acima do padrão da indústria de jogos eletrônicos. A Take-Two confirmou que recebeu um pedido de reconhecimento voluntário por parte do sindicato e pretende organizar uma reunião para discutir o assunto.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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