AnálisesPCReviewsXbox 6 min de leitura

Análise: Echo Generation 2

Entre dimensões, monstros cósmicos e voxel art, Echo Generation 2 surpreende

Leonardo Coimbra ·

Trago aqui o review de Echo Generation 2, sequência produzida pela Cococucumber que, curiosamente, decide não avançar a história do primeiro jogo, mas sim voltar no tempo. Em vez de continuar diretamente os acontecimentos do original, o novo título funciona como uma prequela, explorando eventos anteriores e ajudando a entender melhor o desaparecimento de Jack, figura central da franquia.

A proposta aqui é expandir o universo da série sem abandonar sua identidade. Ao mesmo tempo, o jogo também aproveita para reformular algumas de suas mecânicas principais, principalmente no combate, trazendo uma experiência mais estratégica e complexa do que a vista anteriormente.

Aproveite e compre Echo Generation 2 em nossa parceira Nuuvem

Siga no TelegramReceba as principais notícias direto no seu Telegram.
Entrar no canal

Uma história maior, mais estranha e mais interessante

Como mencionado, Echo Generation 2 funciona como uma prequela. No primeiro jogo, acompanhávamos Dylan e Lily em busca do pai desaparecido. Agora, finalmente controlamos Jack e descobrimos parte do que realmente aconteceu antes daqueles eventos.

A narrativa é propositalmente fragmentada no início. O jogo alterna entre diferentes grupos de personagens, mundos e situações que parecem completamente desconectados entre si. Em um primeiro momento, isso pode causar certa estranheza, mas conforme a campanha avança, tudo começa a fazer sentido dentro da proposta do universo.

O mais interessante é justamente essa variedade. Cada núcleo possui personalidade própria, estilos diferentes e até atmosferas distintas. Você passa por cenários mais próximos de horror, segmentos com estética cyberpunk e até áreas inspiradas em filmes clássicos de zumbi. Sei que parece não fazer muito sentido, mas Echo Generation 2 consegue amarrar bem suas ideias perto da reta final.

Além disso, os personagens são bem escritos e possuem motivações claras. Mesmo sem dublagem, algo que faz certa falta considerando o peso narrativo do jogo, os diálogos conseguem sustentar bem o ritmo da aventura.

A trilha sonora também merece destaque. Cada ambiente possui identidade musical própria, acompanhando o tom da narrativa daquele momento. Em áreas mais tensas, a música assume um lado mais melancólico e sombrio, enquanto segmentos futuristas adotam uma pegada mais synthwave. É um detalhe importante porque ajuda bastante na imersão.

Voxel art continua sendo um dos grandes diferenciais

Visualmente, Echo Generation 2 mantém a identidade do primeiro jogo ao apostar novamente em voxel art. O estilo continua extremamente carismático e ganha ainda mais força graças ao excelente trabalho de iluminação.

Em muitos momentos, o jogo chama atenção justamente pela forma como trabalha cores, sombras e efeitos de luz dentro desse visual mais “quadradão”. Existe um cuidado muito grande na composição dos cenários, especialmente porque o jogo constantemente muda de temática e ambientação.

Você passa por mundos decadentes tomados por criaturas, ambientes mais tecnológicos com forte inspiração cyberpunk, áreas dimensionais e outros cenários completamente diferentes entre si. Essa variedade impede que a aventura fique visualmente repetitiva.

Além disso, os efeitos de iluminação ajudam bastante a reforçar o clima de cada momento tendo um grande peso na parte atmosférica. Nesse aspecto, ele lembra Replaced onde analisamos recentemente. É um jogo que consegue ter personalidade visual própria sem precisar buscar realismo.

Deckbuilder transforma completamente o combate

A maior mudança de Echo Generation 2 está no gameplay. O sistema do primeiro jogo foi abandonado em favor de uma estrutura baseada em deckbuilder, e sinceramente, foi uma decisão que funcionou muito bem.

Agora cada personagem possui um conjunto de cartas que define suas habilidades, ataques, buffs e debuffs. Isso cria uma camada estratégica muito maior durante os confrontos, especialmente porque cada integrante da equipe possui funções e estilos diferentes.

Existe um sistema chamado de “postura”, onde os inimigos possuem fraquezas ligadas a cores específicas. Suas cartas também possuem essas cores e, ao acertar as combinações corretas, você quebra a postura do adversário, aumentando significativamente o dano causado.

A ideia funciona muito bem porque obriga o jogador a pensar constantemente na composição do deck. Dependendo das cartas escolhidas, seu grupo pode ficar extremamente ofensivo, defensivo ou focado em suporte.

Outro detalhe interessante é como cada personagem possui mecânicas que conversam diretamente com sua personalidade e história. Um personagem focado em eletricidade consegue gerar combos ligados a choque e recuperação de vida, enquanto outro trabalha mais com fogo, defesa ou dano contínuo.

Essa mecânica de status é parte vital da experiência, pois diferente de jogos tradicionais onde o status aplicado é algo pontual e por muitas vezes não afeta os chefes, em Echo Generation 2 todos são afetados por múltiplos status quase ininterruptamente.

O sistema também possui árvores de habilidade divididas em especializações diferentes, permitindo criar builds mais específicas conforme o estilo de jogo desejado. Será sempre necessário ir atrás de um “objetivo”para cada um dos personagens.

No geral, o combate é bastante desafiador. Não é um RPG onde você simplesmente aperta botões sem pensar. Em muitos momentos é necessário reorganizar o deck, adaptar estratégias e até realizar algum grind para fortalecer o grupo. E isso tudo, logicamente, pensando nas possibilidades de combos, buffs e debuffs.

Pequenos problemas atrapalham

Apesar do saldo extremamente positivo, existem algumas decisões questionáveis.

A primeira envolve o sistema de defesa. Durante os ataques inimigos, Echo Generation 2 pede que você aperte um botão no timing correto para reduzir dano. O problema é que, na prática, o timing não importa. Durante todo o jogo, bastava apertar o botão repetidamente para obter o mesmo resultado. Isso acaba tirando o propósito da mecânica.

O segundo problema está no gerenciamento do deck. As cartas possuem artes bonitas e muitas informações, mas justamente por isso os menus acabam ficando confusos. Organizar builds novas ou simplesmente trocar cartas se torna menos intuitivo do que deveria.

Faltam filtros melhores, opções mais rápidas para reorganizar o baralho e ferramentas que facilitem a criação de estratégias específicas. Não chega a comprometer o jogo, mas claramente é um ponto que poderia ser refinado, pois incomoda do início ao fim.

Echo Generation 2 é fabuloso

Echo Generation 2 consegue fazer algo raro em continuações independentes: expandir praticamente todos os aspectos do original sem perder identidade.

A narrativa é mais ambiciosa, os personagens são melhores trabalhados e o novo sistema de combate baseado em cartas adiciona uma profundidade estratégica muito bem-vinda. Além disso, a variedade de cenários, mundos e estilos mantém a aventura constantemente interessante.

Visualmente, o voxel art continua sendo um grande diferencial da franquia, principalmente graças ao excelente trabalho de iluminação e direção artística.

Embora o gerenciamento das cartas pudesse ser mais intuitivo e algumas mecânicas precisassem de ajustes, o saldo final é extremamente positivo. Para quem gosta de RPGs estratégicos, deckbuilders e jogos independentes com personalidade própria, Echo Generation 2 é uma recomendação fácil.

NewsletterReceba as últimas notícias de games no seu email.
90 Nota

Echo Generation 2

Imperdível

Com foco maior em narrativa e estratégia, Echo Generation 2 troca parte da simplicidade do original por um sistema de deckbuilder criativo e cheio de possibilidades. A campanha consegue conectar diferentes mundos e personagens de forma interessante, enquanto o visual e a trilha sonora reforçam a identidade única do jogo.

Desenvolvedor Cococucumber
Publicadora Cococucumber
Lançamento 27/05/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PC (Microsoft Windows)
Plataforma jogada PC
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora
Onde comprar

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

Deixe um comentário