Estamos trazendo mais uma análise envolvendo Final Fantasy VII Rebirth, desta vez focada na nova versão lançada para o Nintendo Switch 2, além do lançamento para Xbox Series. Assim como aconteceu anteriormente com Final Fantasy VII Remake, agora chegou a vez do segundo capítulo dessa nova trilogia desembarcar no console híbrido da Nintendo.
E o foco aqui é justamente entender como um jogo originalmente pensado para o PlayStation 5, posteriormente adaptado para PC e até melhorado no PS5 Pro, consegue funcionar em um hardware portátil com limitações muito mais evidentes.
Além disso, também vale observar as diferenças entre a build final e a demo disponibilizada anteriormente, que já era relativamente extensa e dava uma boa noção do que esperar do port.
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Um remake que continua expandindo a história original
Para quem não acompanhou os lançamentos anteriores, Final Fantasy VII Rebirth representa o segundo capítulo do projeto de remake de Final Fantasy VII, clássico originalmente lançado no PS1 em 1997.
Enquanto Final Fantasy VII Remake adaptava a primeira parte da aventura em Midgar, Rebirth finalmente abre o mundo e acompanha a jornada do grupo após a fuga da cidade. Aqui, os personagens passam a explorar novas regiões, descobrir mais sobre Sephiroth e enfrentar acontecimentos extremamente importantes para a franquia, incluindo um dos momentos mais aguardados envolvendo Aerith.
Visualmente e narrativamente, Final Fantasy VII Rebirth continua impressionando. Existe um cuidado muito grande na ambientação, na atuação dos personagens e na escala do mundo. As cidades, regiões abertas e momentos cinematográficos conseguem transmitir muito bem o peso dessa nova interpretação da história.



Ao mesmo tempo, também é impossível ignorar algumas mudanças feitas em relação à obra original. O projeto abraça fortemente a ideia de multiverso e diferentes linhas de realidade, algo que divide opiniões e deixa alguns momentos consideravelmente mais confusos, principalmente perto da reta final.
Além disso, uma crítica que continua válida desde o lançamento original no PS5 é o excesso de conteúdo secundário. O mundo aberto funciona muito bem em vários momentos, mas Final Fantasy VII Rebirth também sofre um pouco com atividades repetitivas e áreas que poderiam ser mais enxutas. Existe claramente uma “gordura” no meio da campanha que poderia ter sido reduzida para melhorar o ritmo geral da experiência.
Ainda assim, o saldo permanece extremamente positivo, especialmente graças ao excelente combate.

Um dos melhores sistemas de combate da franquia
A grande força desse remake continua sendo seu gameplay. O sistema consegue transformar o RPG por turnos original em um action RPG extremamente dinâmico sem abandonar completamente suas raízes estratégicas.
Os combates funcionam em tempo real, mas ainda mantêm elementos táticos importantes através das habilidades, magias, matérias e comandos especiais. Em Rebirth, isso fica ainda mais refinado graças aos ataques de sinergia entre personagens e às árvores de habilidades individuais.
Cada integrante do grupo possui funções, golpes e estilos diferentes, incentivando constantemente a troca entre personagens durante as batalhas.
Além disso, o mundo aberto adiciona uma camada extra de exploração que não existia no primeiro remake. Existem minigames, missões secundárias, atividades opcionais e uma enorme quantidade de conteúdo espalhada pelo mapa. Para quem quiser completar tudo, facilmente estamos falando de mais de 100 horas de jogo.

Como Final Fantasy VII Rebirth roda no Nintendo Switch 2?
A demo disponibilizada anteriormente já deixava claro que adaptações pesadas seriam necessárias. Diferente de Final Fantasy VII Remake, que acontecia majoritariamente em Midgar e possuía estrutura mais linear, Rebirth trabalha com mapas muito maiores, exploração aberta e cenários mais densos.
E isso naturalmente trouxe concessões visuais mais perceptíveis. O primeiro ponto evidente continua sendo o pop-in agressivo de texturas e objetos. Em diversos momentos você literalmente vê elementos surgindo poucos metros à frente do personagem. Vegetação, objetos menores e partes do cenário aparecem de forma bastante perceptível enquanto o jogador explora o mundo.



As texturas também sofrem cortes claros de qualidade. Algumas superfícies possuem resolução baixa, principalmente em objetos secundários e interiores. Existem ainda simplificações geométricas bastante visíveis. As mesas e balões de ar, por exemplo, perdem arredondamento à distância, objetos ficam mais “quadrados” e certos elementos claramente utilizam modelos reduzidos até que o jogador se aproxime.
Durante o período da demo, virou até meme a aparência extremamente simplificada de frutas e vegetais. Felizmente isso foi corrigido na versão final. Pepinos finalmente parecem pepinos e tomates parecem tomates, o que mostra que ao menos alguns pequenos ajustes realmente foram feitos antes do lançamento.

Outro detalhe perceptível vem do uso do DLSS. A tecnologia ajuda bastante a tornar Final Fantasy VII Rebirth viável no Switch 2, especialmente considerando a escala da aventura, mas também gera artefatos visuais perceptíveis nos cabelos dos personagens. Em várias cutscenes, fios de cabelo ficam com aspecto “pontilhado” ou levemente instável durante movimentações.
Por fim, encontrei um bug que aparecia aleatoriamente na área de Junon. Acredito que por causa da iluminação mais específica da área e dependendo do ângulo da câmera, um flare intenso aparecia na cena por menos de um segundo deixando a tela completamente branca. No vídeo abaixo esse bug pode ser visto com mais clareza, assim como o mencionado pop up de textura e de draw distance.
Mesmo assim, o impacto visual geral continua funcionando. O mundo de Final Fantasy VII Rebirth permanece bonito, rico em ambientação e artisticamente forte mesmo com todas as reduções aplicadas.

Performance mais consistente que a demo
Na questão de desempenho, a build final demonstra evolução em relação à demo. Ainda existem quedas ocasionais de frame rate, principalmente em áreas mais carregadas, cidades maiores ou batalhas mais intensas, mas no geral Final Fantasy VII Rebirth parece mais consistente. A exploração do mundo aberto acontece com fluidez suficiente para não comprometer o gameplay, e isso é o mais importante aqui.
Diferente de alguns outros ports recentes no Switch 2, a decisão de manter uma taxa de quadros mais estável acaba funcionando melhor para a proposta do jogo. Existe uma sensação geral de maior consistência, especialmente quando comparado a experiências recentes como Indiana Jones and the Great Circle ou até mesmo Tales of Arise, que apresentavam problemas mais estranhos envolvendo alternância de performance.
Outro detalhe importante, que se tornou uma regra nesses ports, é que no modo portátil, vários desses problemas ficam naturalmente menos perceptíveis. Assim como vem acontecendo em outros jogos do Switch 2, a tela menor ajuda bastante a mascarar limitações visuais, pop-in e simplificações gráficas.

Final Fantasy VII Rebirth faz o que era esperado no Switch 2
Final Fantasy VII Rebirth no Nintendo Switch 2 entrega exatamente aquilo que era esperado de um port desse porte: muitas concessões visuais, algumas limitações técnicas claras, mas uma experiência geral competente e plenamente jogável.
Existe redução perceptível na qualidade de texturas, geometria simplificada, pop-in agressivo e artefatos causados pelo DLSS. Tudo isso está presente e não pode ser ignorado. Ao mesmo tempo, Final Fantasy VII Rebirth consegue preservar aquilo que realmente importa: sua ambientação, seu combate excelente e o impacto narrativo da jornada.
Além disso, a versão final claramente apresenta melhorias em relação à demo, especialmente na estabilidade geral da performance.
Dentro dos ports recentes que chegaram ao Switch 2, Final Fantasy VII Rebirth acaba encontrando um equilíbrio melhor entre qualidade visual e jogabilidade. Ele não impressiona tecnicamente como nas versões de PS5 ou PC, mas também evita alguns problemas mais graves vistos em outros jogos extremamente pesados no console híbrido.
No fim, a recomendação segue muito parecida com outros ports analisados recentemente: se você possui outras plataformas mais potentes, naturalmente terá uma experiência visual superior nelas. Mas para quem busca portabilidade ou possui apenas o Switch 2, essa versão consegue entregar uma adaptação bastante competente de um RPG gigantesco e extremamente ambicioso.

