3 min de leitura

Diretor da VGHF concorda que pirataria parece ser a saída para preservação de jogos

Diretor da Video Game History Foundation afirma que pirataria se tornou a única saída viável para manter a história da plataforma.

Bruno Degering ·

O impacto do fim das mídias físicas no PlayStation

A Sony anunciou oficialmente em 1 de julho de 2026 que deixará de produzir discos físicos para todos os novos jogos de PlayStation a partir de janeiro de 2028. A decisão marca uma transição definitiva para o ecossistema puramente digital, embora a empresa tenha confirmado que o suporte para discos já lançados ou atualmente em produção não será encerrado imediatamente. A mudança provocou uma reação imediata de especialistas em conservação histórica, que apontam riscos graves para a posteridade da indústria.

Frank Cifaldi, fundador e diretor da Video Game History Foundation (VGHF), manifestou-se de forma contundente sobre o novo cenário. Em publicação no Bluesky, Cifaldi concordou com a afirmação de que a pirataria é atualmente a única forma de preservação de mídia existente para jogos. O historiador, que dedicou a carreira à causa e colaborou com grandes empresas do setor, incluindo a própria Sony Interactive Entertainment, destacou que a falta de alternativas legais está empurrando os arquivistas para a ilegalidade.

As the director of a historical video game preservation institution, and someone who has dedicated his entire adult life to this cause, this is accurate. We have attempted to work with the industry's trade organization to find a legal path forward, but they refuse to offer a meaningful alternative.

Frank Cifaldi (@frankcifaldi.bsky.social) 2026-07-01T18:45:54.133Z

Confira o nosso calendário atualizado com os principais lançamentos de jogos

Siga no TelegramReceba as principais notícias direto no seu Telegram.
Entrar no canal

Pirataria como última alternativa para preservação

Segundo Cifaldi, a VGHF tentou estabelecer diálogos com organizações comerciais da indústria para encontrar um caminho legal de preservação, mas as empresas se recusaram a oferecer alternativas significativas. Com a migração forçada para o formato digital, a posse real do produto pelo consumidor é mitigada, uma vez que o acesso depende da manutenção de servidores e licenças de software que podem ser revogadas unilateralmente pelas fabricantes.

O cenário de abandono dos discos não é exclusivo da Sony. A Microsoft paralisou a venda de jogos físicos no Brasil. Recentemente, a Take-Two tomou a decisão de remover as mídias físicas das caixas de GTA 6, sinalizando que as grandes publicadoras estão alinhadas na eliminação do custo de distribuição física. Para os preservadores, o problema central reside no fato de que, sem um disco ou o código-fonte original, manter um título acessível para futuras gerações se torna quase impossível fora de servidores independentes ou arquivos digitais não autorizados.

A vulnerabilidade do formato digital foi evidenciada quando a PlayStation Store decidiu remover mais de 550 filmes da biblioteca de usuários que já haviam pago pelos conteúdos. No modelo digital, as empresas possuem ferramentas para censurar, modificar ou deletar produtos com o apertar de um botão, removendo o controle do comprador sobre o item adquirido. Para a VGHF, o armazenamento em servidores próprios e sites independentes é a única garantia de que o material não será manipulado ou apagado por grandes corporações.

Embora a digitalização possa, teoricamente, facilitar a cópia de dados, o aumento do uso de tecnologias de DRM (gestão de direitos digitais) cria novas barreiras. Arquivistas agora enfrentam o desafio inverso: enquanto jogos antigos de sistemas como o Nintendo 64 sofrem com a degradação física de cartuchos, os jogos modernos de PlayStation correm o risco de desaparecer completamente no vácuo digital caso as lojas oficiais sejam desativadas ou as licenças expirem sem que haja uma versão física para backup.

Confira a nossa curadoria com os principais rumores de jogos

NewsletterReceba as últimas notícias de games no seu email.

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

Deixe um comentário