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Líderes do Xbox criticam o Game Pass por desvalorizar grandes jogos; entenda

Relatos indicam insatisfação interna e possível fim de lançamentos simultâneos para títulos de peso após queda no número de assinantes.

Bruno Degering ·

Líderes de diversos estúdios da divisão Xbox expressaram forte insatisfação com o modelo de negócios do Game Pass, alegando que o serviço de assinatura prejudica o valor de mercado de suas produções. O descontentamento interno surge em um período de instabilidade para a marca, intensificado pelo recente relatório que aponta uma redução na base de assinantes, que caiu de 34 milhões para 30 milhões de usuários ativos.

De acordo com informações reveladas por Jason Schreier no podcast Triple Click, diversos executivos e diretores de estúdios pertencentes à Microsoft detestam o serviço por considerarem que ele destrói o valor percebido de jogos que deveriam custar 40 dólares ou mais. Segundo os relatos, disponibilizar títulos de alto orçamento por uma fração do preço em uma assinatura mensal cria uma percepção de que esses produtos não possuem o valor individual necessário para sustentar suas produções a longo prazo.

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A crise de identidade do Xbox Game Pass

O impacto financeiro tem sido um ponto central nas discussões sobre a viabilidade do serviço. A atual CEO do Xbox, Asha Sharma, destacou em um memorando interno que a divisão opera com uma margem de apenas 3%, apresentando queda em relação ao ano anterior. Esse cenário econômico teria motivado a onda de demissões que planeja cortar mais de 3.000 funcionários até julho de 2027, afetando não apenas estúdios internos, mas também parceiros de desenvolvimento e fornecedores externos.

Thomas Mahler, CEO da Moon Studios, comentou sobre a situação afirmando que a divisão não conseguiu entregar os sucessos necessários para sustentar um serviço de assinatura de tamanha escala. A crítica reforça a ideia de que o modelo atual gera um peso financeiro difícil de suportar, especialmente quando títulos menores ou de nicho são disponibilizados sem a contrapartida de vendas diretas expressivas.

Mudanças na estratégia de lançamentos simultâneos

Diante do cenário de desvalorização, a Microsoft já começou a ajustar sua estratégia de lançamentos. O exemplo citado por Schreier envolve Call of Duty, que já sofreu alterações em sua disponibilidade imediata no serviço. A expectativa é que outros títulos de grande porte sigam o mesmo caminho, perdendo a obrigatoriedade de lançamento simultâneo no Game Pass.

Jogos como o aguardado The Elder Scrolls VI podem ser removidos da janela de lançamento no primeiro dia. A ideia seria priorizar as vendas diretas no período inicial de mercado, quando o potencial de lucro por unidade é maior, e adicionar o título ao catálogo de assinaturas apenas após o ciclo principal de vendas ser concluído. Essa mudança marcaria um afastamento drástico da estratégia central que o Xbox perseguiu nos últimos dez anos sob a liderança de Phil Spencer.

A insatisfação dos líderes de estúdios também passa pela comparação com outros serviços de streaming. Diferente da Netflix, onde o conteúdo original não pode ser adquirido separadamente em plataformas externas, os jogos do Game Pass continuam disponíveis para compra em lojas digitais. A coexistência desses dois modelos tem gerado questionamentos internos sobre por que um consumidor pagaria o preço total em um jogo se ele pode acessá-lo por uma mensalidade reduzida, o que, na visão dos desenvolvedores, contribui para a deterioração da indústria de jogos como um todo.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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