A Bethesda Game Studios enfrentou cortes severos de pessoal como parte das demissões em massa promovidas pela Microsoft em suas divisões de jogos. Em entrevista ao The Guardian, a ex-funcionária Anne Barrett revelou que diversos colaboradores foram desligados em reuniões de apenas dois minutos via Microsoft Teams, com câmeras e microfones bloqueados pela administração do estúdio.
O sentimento interno entre os desenvolvedores era de que o trabalho em franquias de alto escalão serviria como uma camada de proteção contra instabilidades do mercado. Barrett explicou que a equipe acreditava estar segura devido à importância comercial e ao prestígio de títulos como Fallout e The Elder Scrolls, que possuem projetos altamente antecipados em fase de produção sob a gestão da Microsoft.
Confira o nosso calendário atualizado com os principais lançamentos de jogos
Impacto na tecnologia proprietária da Bethesda
A saída de veteranos com décadas de experiência levanta preocupações críticas sobre a manutenção do conhecimento institucional do estúdio. Barrett destacou que a empresa utiliza tecnologias proprietárias e possui uma identidade visual muito específica, construída ao longo de mais de 20 anos pelos profissionais que foram dispensados durante a reestruturação. Segundo o relato, a equipe sentia um presságio negativo semanas antes do anúncio oficial, mas confiava na força das propriedades intelectuais para evitar o pior cenário.
A ex-desenvolvedora argumentou que não é viável substituir artistas e engenheiros experientes por novos talentos e esperar que eles repliquem sistemas complexos sem a devida orientação técnica. A perda desses profissionais afeta a capacidade de aprimorar as ferramentas internas que definem a jogabilidade e a estética dos RPGs da empresa, uma vez que o domínio sobre esses motores gráficos e lógicas de design não pode ser transferido rapidamente.
Os desligamentos ocorreram de forma abrupta, com funcionários perdendo o acesso a canais de comunicação interna, como o Slack, segundos após o término da reunião virtual. Essa abordagem impediu despedidas formais ou a transferência organizada de tarefas pendentes, gerando um clima de descrença entre os remanescentes do estúdio de Austin.
Sindicato e futuro das negociações
Como resposta direta às demissões, funcionários da Bethesda Game Studios formaram um sindicato para negociar melhores condições e estabilidade para os atuais empregados. O grupo, conhecido como OneBGS, tem realizado campanhas em redes sociais para compartilhar histórias de desenvolvedores impactados e pressionar a liderança do Xbox por transparência em futuros processos de reestruturação. As conversas entre o sindicato e a Microsoft continuam, enquanto o setor observa como a perda de talentos afetará o cronograma de lançamentos futuros da Bethesda.
