É comum vermos estúdios lançando remasterizações a todo momento nos dias de hoje, mas o que definitivamente pegou a todos de surpresa foi o anúncio de The Wolf Among Us Remastered. Baseado na aclamada série de quadrinhos Fábulas (Fables), da DC/Vertigo, o jogo conta a história de criaturas dos contos de fadas que vivem exiladas no mundo real, precisando lidar com as dificuldades da adaptação enquanto tentam não revelar as suas verdadeiras identidades aos humanos.
Já faz 13 anos desde que o título original chegou ao PlayStation 3, Xbox 360 e PC. Desde então, o público implorava por uma sequência; a continuação chegou a ser confirmada, mas a demora para o seu lançamento foi tão grande que muitos simplesmente perderam a esperança. Felizmente, fomos surpreendidos com a reconfirmação de The Wolf Among Us 2 para 2027, acompanhada deste aguardado remaster que promete atualizar a obra original e entregar todos os episódios em um pacote único e definitivo. E para você que já jogou ou tem curiosidade, será que vale a pena se aventurar em Fabletown? Vamos descobrir nesta análise.
Aproveite e compre The Wolf Among Us Remastered em nossa parceira Nuuvem
História policial protagonizada pelo Lobo Mau
The Wolf Among Us Remastered é um suspense investigativo com uma forte pegada noir. A trama acompanha Bigby (o Lobo Mau), que atua como xerife de Fabletown, uma comunidade clandestina em Nova York onde diversos personagens do folclore e dos contos de fadas vivem escondidos.
A história começa em uma noite aparentemente comum, quando o xerife é chamado para conter um distúrbio: o Lenhador (o mesmo do conto da Chapeuzinho Vermelho) está agredindo fisicamente uma prostituta que havia contratado. Bigby salva a mulher após uma luta intensa, mas, na manhã seguinte, é surpreendido com a descoberta de um assassinato brutal na comunidade. A partir desse momento, ele inicia uma investigação densa com o auxílio de Branca de Neve, que trabalha na prefeitura local para manter a ordem entre os residentes.
A apuração revela que o mistério é muito mais profundo e obscuro do que aparentava. Ao longo da narrativa, somos apresentados a outros moradores fascinantes, como a Bela e a Fera, os gêmeos Tweedledee e Tweedledum (de Alice no País das Maravilhas) e o sádico Barba Azul. A história é espetacular, e ter o controle sobre o temperamento de Bigby torna a experiência ainda melhor. A Telltale Games, estúdio responsável pela obra, é famosa por criar enredos envolventes com múltiplos desfechos moldados de acordo com as decisões do jogador.

Jogabilidade
Como já estamos acostumados, o título segue a estrutura de um “filme interativo”, lembrando o formato de um seriado onde cada episódio é dividido em capítulos. A jornada intercala momentos de exploração de cenários, sessões intensas de diálogo e cenas de ação baseadas em Quick Time Events.
Durante as conversas, Bigby tem um tempo limite apertado para responder. O relógio corre, e o silêncio também é uma escolha válida (e com consequências). Cada resposta ou ação molda a forma como os personagens enxergam o protagonista: você pode tentar convencer um suspeito de forma amigável, apontar contradições na sua história ou simplesmente partir para a intimidação física. O jogo sempre faz questão de lembrar que “os personagens se lembrarão disso”.
Nos momentos de exploração livre, o jogador movimenta Bigby e procura pontos de interação no cenário. Ao se aproximar de um objeto ou personagem, o menu exige o uso dos botões de face (Triângulo, Quadrado, X ou Círculo), variando entre ações como observar, conversar, coletar um item ou usar a força bruta (como arrombar uma porta com um chute).
Já nas cenas de ação, a dinâmica muda. Quando Bigby é atacado, é necessário mover rapidamente o analógico L3 para a direção indicada na tela ou apertar botões específicos para desviar. O sistema de ataque é o mais interessante: o jogador precisa arrastar uma mira até o alvo e apertar L2 ou R2 para executar a agressão. Muitas vezes, o jogo oferece escolhas cruéis no meio da briga, permitindo decidir se você jogará o inimigo contra uma parede de concreto ou contra o mobiliário do bar.

Gráfico e áudio
The Wolf Among Us já possuía um estilo visual muito próprio e atemporal utilizando a técnica de cel-shading. Por conta dessa forte direção de arte, a Telltale não precisou recriar o jogo do zero para que ele parecesse moderno. O aumento significativo da resolução e a melhoria no contraste das cores e da iluminação já foram suficientes para dar à obra uma cara de geração atual.
Somando esse tratamento visual ao suporte aos fluidos 60 FPS (o que elimina os antigos e incômodos engasgos mecânicos do motor gráfico origina) e à excelente remasterização da qualidade sonora da dublagem e da trilha atmosférica, temos uma experiência de jogo revigorada e incrivelmente polida.

Conclusão da análise de The Wolf Among Us Remastered
The Wolf Among Us Remastered é um resgate absoluto de um dos maiores clássicos modernos da narrativa interativa. O título não apenas envelheceu com excelência, como a sua estética de história em quadrinhos brilha mais do que nunca nas resoluções atuais e a 60 quadros por segundo. A investigação noir liderada por Bigby continua sendo um dos roteiros mais bem escritos e intrigantes da Telltale, forçando o jogador a equilibrar a burocracia, a moralidade e a fúria animal do protagonista.
Seja você um fã de longa data querendo revisitar as noites violentas de Fabletown, ou um novato curioso para conhecer as fábulas em Nova York, a coletânea definitiva é impecável e prepara terreno perfeitamente para a chegada de The Wolf Among Us 2 em 2027.


