Análise: Bubsy 4D

O Peso do Passado e o Salto Para o Futuro

Bruno Degering ·

Rir de si mesmo é uma arte perigosa. Quando bem-feita, desarma o público; quando exagerada, soa como pura falta de amor-próprio. É exatamente nessa corda bamba que Bubsy 4D se equilibra neste início de 2026. O novo título da Fabraz sabe perfeitamente que carrega o fardo de uma das franquias mais criticadas da história dos videogames. Nas primeiras vezes em que o game faz piadas ácidas sobre o infame Bubsy 3D ou libera uma skin poligonal horrorosa baseada na era do PlayStation 1, o humor funciona. O problema é que a insistência nessa autodepreciação cansa rápido, dando a impressão de que o jogo tem vergonha de assumir uma identidade própria.

É uma pena que o roteiro de Bubsy 4D se apoie tanto nessa muleta, porque, por baixo das piadas bobas e da trama de desenho animado de sábado de manhã, onde você enfrenta os Baabots, ovelhas robóticas que querem roubar o Velocino de Ouro, existe um jogo de plataforma 3D com ótimas ideias e mecânicas surpreendentemente sólidas.

Um Kit de Movimentos que Impressiona

Se a franquia sempre foi sinônimo de controles travados e física frustrante, a Fabraz mudou completamente esse cenário. A jogabilidade de Bubsy 4D é o ponto mais alto da experiência, herdando a excelente resposta que o estúdio já havia demonstrado em Demon Turf. Bubsy nunca foi tão ágil e bom de controlar.

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A partir de um único salto, você consegue encadear uma sequência impressionante de movimentos: um pulo duplo vertical, um avanço horizontal agressivo no ar e uma planada suave para controlar a queda e manter o momento da velocidade. O peso dos comandos é cirúrgico, dando uma sensação de liberdade que rivaliza com bons momentos dos jogos do Sonic em 3D.

Essa base é expandida conforme você encontra projetos escondidos pelas fases. Essas plantas liberam habilidades suplementares na loja do game, como a capacidade de se fixar em paredes para evitar quedas, dar giros no ar para ganhar altura ou dominar a habilidade de se transformar em uma bola compacta e sair rolando em alta velocidade. Explorar os cenários para coletar novelos de lã e rolos de tecido vale a pena, pois essas moedas compram upgrades reais, como a capacidade de fazer curvas fechadas durante o rolamento ou garantir uma chance extra de sobrevivência antes de morrer.

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O Contraste de Fases Grandes, Mas Vazias em Bubsy 4D

O grande tropeço do jogo está na arquitetura de seus níveis. Bubsy 4D sofre de uma crise de identidade em seu level design. O jogo tenta abraçar dois públicos diferentes: o jogador casual que quer explorar cada canto atrás de colecionáveis e o speedrunner focado em tabelas de classificação e cronômetros. Infelizmente, o design das fases não consegue unificar essas duas propostas de forma elegante.

Os cenários são grandes, mas essa escala é uma ilusão. Em vez de criar rotas alternativas inteligentes que exigem perícia para cortar caminho, as fases são formadas por arenas largas conectadas por trechos lineares. Se você optar por correr contra o tempo, a mecânica de movimentação permite saltar e ignorar completamente cerca de 80% do mapa. Aquelas áreas imensas se revelam pistas de obstáculos estáticas, desabitadas e sem vida. Para piorar, os poucos inimigos espalhados pelo caminho são tão inofensivos que funcionam apenas como postes decorativos. Você pode (e vai) passar reto por eles sem qualquer remorso ou desafio.

Charme Visual e os Desafios da Câmera no PS5

Visualmente, a Fabraz tomou uma decisão artística inspirada para Bubsy 4D: transformou o visual abstrato dos jogos antigos em um mundo focado em artes e artesanato. Cada um dos mundos adota um tema de material escolar ou manual. O planeta inicial abusa de texturas de tricô e crochê, enquanto o seguinte se transforma em um universo de dobraduras de papel e papelcraft. A iluminação rica e atmosférica ajuda a dar identidade aos cenários, fugindo da mesmice dos cenários genéricos de grama ou deserto.

No PlayStation 5, a experiência ganha um reforço físico bem-vindo através do DualSense. Os gatilhos adaptativos oferecem uma resistência sutil, mas perceptível, ao iniciar a planada ou ao desferir o avanço no ar. A resposta tátil do controle traduz bem o impacto das quedas e a velocidade dos rolamentos. Além disso temos sons e luzes sempre que voce coleta os itens do jogo.

O problema técnico mais incômodo de Bubsy 4D surge quando você decide usar a habilidade de “bola de pelo” para descer em alta velocidade pelas trilhas que parecem tobogãs. Como a ação exige que você mantenha os dedos ocupados nos botões de comando, mover o analógico direito para ajustar a câmera manualmente se torna uma tarefa árdua, os pulos não são nada precisos – um show de horror e frustração. Nesses momentos de correria, a câmera automática se perde drasticamente, resultando em mortes injustas por pura falta de visão do cenário.

Conclusão da análise de Bubsy 4D

Bubsy 4D é o melhor jogo que o mascote já teve em toda a sua existência, mas isso ainda não o torna uma obra-prima. O trabalho da Fabraz na física e nos comandos do personagem é muito bom e divertido de dominar. Contudo, o esqueleto mecânico precisava de mais carne.

Com apenas 15 estágios divididos em 3 mundos, o jogo é tragicamente curto. Quando você finalmente se acostuma com o fluxo do controle e começa a extrair o potencial máximo dos saltos, os créditos rolam de forma abrupta, deixando uma forte sensação de vazio. É um bom personagem de plataforma preso em um jogo de plataforma comum, que entrega um resultado satisfatório, mas que carece de conteúdo e personalidade em seus mapas.

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70 Nota

Bubsy 4D

Bom

Fabraz finalmente entregou o jogo que o mascote merecia mecânica e esteticamente, mas falhou em construir um mundo à altura dessa evolução. Bubsy 4D diverte pela fluidez de seus comandos, mas a falta de conteúdo e o design de níveis vazio cobram um preço alto, interrompendo a experiência de forma abrupta assim que ela começa a engrenar. É um passo firme na direção certa para a franquia, mas que ainda deixa o jogador com uma incômoda sensação de vazio.

Desenvolvedor Fabraz
Publicadora Atari
Lançamento 22/05/2026
Plataformas Xbox Series X|S, PlayStation 4, Nintendo Switch 2, PC (Microsoft Windows), PlayStation 5, Xbox One, Nintendo Switch
Plataforma jogada PS5
Dublado PT-BR Não
Legendado PT-BR Não
Cópia Cedida pela publicadora

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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