Análise: Rune Dice

Um dos jogos mais agradáveis e viciantes dentro da atual onda de roguelites

Leonardo Coimbra ·

Existe um tipo de jogo indie que parece simples à primeira vista, mas que consegue prender o jogador por horas quase sem esforço. Rune Dice entra exatamente nessa categoria. O novo jogo da Smart Raven Studio, distribuído pela Kwalee, chega tentando encontrar espaço nesse cenário extremamente competitivo de jogos rápidos, diretos ao ponto e altamente viciantes, algo que ficou ainda mais evidente depois do sucesso de títulos como Balatro, Vampire Survivors e até experiências mais recentes como Ball x Pit.

E sendo bem sincero, Rune Dice talvez tenha sido um dos jogos desse estilo que mais me surpreenderam nos últimos tempos.

Quando comecei a jogar, eu honestamente não sabia muito bem o que esperar. A proposta parecia simples: um roguelite medieval com foco em dados. Só que o jogo consegue transformar essa ideia em algo extremamente criativo e absurdamente gostoso de jogar.

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Um RPG sem narrativa, mas cheio de personalidade

Rune Dice é um jogo completamente focado em gameplay. Não existe uma história propriamente dita, grandes diálogos ou construção narrativa. Tudo aqui gira em torno da progressão, dos personagens, dos combos e das runs.

Visualmente, ele aposta em uma pixel art simples, mas muito funcional. Cada mundo possui sua própria identidade, variando entre florestas, áreas mais sombrias e ambientes medievais típicos do gênero fantasy. Os chefes também possuem um visual marcante dentro dessa proposta mais minimalista, e tudo conversa muito bem com a velocidade do gameplay.

A trilha sonora segue exatamente essa mesma direção. As músicas têm uma pegada quase de taberna medieval, mas com um ritmo acelerado que combina perfeitamente com a urgência das partidas. É aquele tipo de trilha que rapidamente vira parte do loop do jogo sem cansar, principalmente durante as runs mais longas.

A genialidade está nos dados

O grande diferencial de Rune Dice está na forma como ele transforma um sistema extremamente simples em algo cheio de possibilidades.

A estrutura básica funciona como um tabuleiro. O jogador fica do lado esquerdo da tela enquanto os inimigos avançam pelo lado direito. Cada turno é baseado em dados espalhados pelo campo, e é aí que o jogo começa a ficar brilhante.

Você inicia com algumas classes básicas, como Ladino e Mago, mas rapidamente vai desbloqueando novas opções, incluindo arqueiros, guerreiros pesados, necromantes e outras variações. Cada personagem possui mecânicas próprias através de dados únicos relacionados à sua classe.

O Mago, por exemplo, trabalha muito com elementos como fogo, gelo e raio. Já personagens mais defensivos focam em escudo, mitigação de dano e ataques pesados. Isso muda completamente a forma como cada run funciona.

A lógica principal gira em torno de unir dados iguais. Dois dados “1” viram um “2”, dois “2” viram um “3” e assim sucessivamente. Quantos mais dados são “combados” por turno, maior o dano. Só que o jogo adiciona física nesse sistema, transformando tudo quase em uma partida de sinuca. Você começa a calcular ângulo, rebote, direção e posicionamento para tentar criar os melhores combos possíveis.

E é justamente aqui que Rune Dice se torna extremamente viciante.

Você começa tentando fazer pequenas combinações e, quando percebe, está organizando o campo inteiro para criar uma sequência absurda de ataques, juntando dezenas de dados numa única jogada. Em alguns momentos eu estava causando mais de 40 ou 50 de dano em um único turno simplesmente porque consegui encaixar uma sequência perfeita. A sensação de recompensa é excelente.

Progressão inteligente e liberdade nas runs

Como todo bom roguelite, Rune Dice também trabalha muito bem sua progressão.

Os mapas permitem escolher caminhos diferentes, enfrentar inimigos mais fortes, subchefes opcionais, vendedores e áreas especiais. Ao longo das runs você coleta novos dados, modifica atributos, desbloqueia habilidades passivas e cria builds extremamente específicas.

Alguns itens alteram completamente a forma como uma classe funciona. À medida que segue “para um lado” em suas escolhas de dado, um mesmo personagem pode ser um ás do dano ou então um tanque que não leva dano. Tudo evolui de acordo com suas escolha. Em conjunto com habilidades passivas e dados com efeitos, ainda é possível ativar runas que terão um efeito macro na partida podendo tanto reposicionar todos os inimigos como juntar os dados em um ponto específico.

Além disso, o jogo constantemente adiciona novas variáveis ao campo. Inimigos também podem lançar dados próprios, alterar o tabuleiro ou criar efeitos negativos que interferem diretamente nos seus combos. Isso faz com que cada turno exija atenção constante.

E o mais impressionante é que, mesmo com todas essas camadas, Rune Dice continua sendo extremamente acessível. Ele não vira um jogo complicado demais. Existe profundidade para quem quiser explorar sistemas mais avançados, mas também funciona perfeitamente para quem só quer entrar, fazer algumas runs rápidas e se divertir.

Um daqueles jogos que fazem o tempo desaparecer

A maior prova de que Rune Dice funciona é simples: eu perdi completamente a noção do tempo jogando.

Minha primeira sesão de jogatina durou quase três horas e passou sem que eu percebesse. E mesmo depois disso, eu continuei jogando para testar novas classes, liberar personagens e experimentar combinações diferentes.

Existe algo muito satisfatório em preparar o campo inteiro, encaixar o dado certo no momento exato e assistir aquela sequência de combos acontecer quase como um efeito dominó. O jogo entende perfeitamente essa sensação de recompensa constante e explora isso o tempo inteiro.

Conclusão

Rune Dice foi uma surpresa enorme. O jogo pega uma proposta relativamente simples e transforma isso em um dos roguelites mais interessantes e viciantes que joguei recentemente.

Ele não depende de uma narrativa complexa, de gráficos ultrarrealistas ou de grandes produções para funcionar. Tudo aqui gira em torno da qualidade do seu loop de gameplay, e isso ele entrega muito bem.

A combinação entre estratégia, física, progressão e construção de builds funciona de forma excelente, enquanto a velocidade das partidas faz com que seja extremamente fácil entrar naquele clássico “só mais uma run”.

E talvez o mais impressionante seja justamente isso, Rune Dice consegue ser simples de entender, mas difícil de largar.

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100 Nota

Rune Dice

Obra-Prima

Rune Dice aposta em uma proposta simples, mas executada de forma extremamente inteligente. A combinação entre física, estratégia e progressão cria um loop de gameplay viciante e difícil de largar.

Desenvolvedor Smart Raven Studio
Publicadora Kwalee
Lançamento 19/05/2026
Plataformas PC (Microsoft Windows), Nintendo Switch
Plataforma jogada Nintendo Switch
Dublado PT-BR Sim
Legendado PT-BR Sim
Cópia Cedida pela publicadora

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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